INTRODUÇÃO
No corpo sadio, os constituintes químicos
estão em um delicado balanço ou equilíbrio,
que é influenciado por fatores externos e
internos. Mudanças na concentração
de um constituinte químico usualmente vai
disparar uma reação para trazer a
concentração de volta ao estado normal.
Por exemplo, quando os níveis de glicose
no sangue aumentam após uma refeição,
o pâncreas libera mais insulina para baixar
a concentração da glicose aos níveis
normais.
O material mais comumente utilizado para as dosagens
bioquímicas é o soro, mas outros fluidos
também podem ser utilizados para tais dosagens
de acordo com cada caso, como por exemplo: líquido
cefalorraquidiano, líquido pleural, líquido
sinovial etc.
ALGUMAS SUBSTÂNCIAS TESTADAS EM BIOQUÍMICA
PROTEÍNAS
Proteínas são componentes essenciais
das células e dos fluidos do corpo. Elas
são formadas por cadeias de aminoácidos.
Alguns aminoácidos são produzidos
pelo organismo, outros devem ser fornecidos pela
dieta.
As proteínas do soro são de dois grandes
grupos, as albuminas e as globulinas. Albuminas
compreendem aproximadamente 60% do total de proteínas
séricas, globulinas cerca de 40%.
A proteína é comumente medida no soro,
mas pode ser medida também na urina ou no
LCR. Normalmente a proteína sérica
e a albumina são dosadas em uma amostra simultaneamente
e as globulinas são calculadas pela diferença:
proteínas - albumina = globulina. A albumina
é sintetizada no fígado. Níveis
baixos de albumina (hipoalbuminemia), podem ocorrer
em doenças hepáticas, desnutrição,
perda de proteínas pela pele, rins ou gastrointestinal.
ELETRÓLITOS
O termo eletrólitos refere-se aos cátions
sódio (Na+) e potássio (K+) e os ânions
cloretos (Cl-) e bicarbonato. Os eletrólitos
estão distribuídos desigualmente entre
os espaços intracelulares (dentro das células)
e extracelulares (fora das células). Em algumas
doenças, o balanço eletrolítico
e da água são alterados por causa
da perda súbita de líquidos por vômitos,
diarréias e micções excessivas.
Altas concentrações de sódio
são chamadas hipernatremia e baixas concentrações
de sódio chamam-se hiponatremia. Altas concentrações
de potássio são chamadas hipercalemia
e baixas concentrações hipocalemia.
MINERAIS
CÁLCIO
O cálcio é um mineral necessário
para a formação dos ossos e para a
coagulação sanguinea. De todos os
minerais presentes no corpo o cálcio está
presente em maior quantidade. 99% do cálcio
do corpo está ligado nos ossos e não
são metabolicamente ativos. Somente os íons
cálcio não ligados são ativos
metabolicamente. Hipercalcemia é o aumento
da concentração de cálcio enquanto
que hipocalcemia é a diminuição
dos níveis de cálcio.
FÓSFORO
A maioria do fósforo do corpo está
na forma de fosfato inorgânico. Aproximadamente
80% do fósforo está presente nos ossos
e o resto está principalmente em compostos
de alta energia, como a adenosina tri-fosfato (ATP).
FERRO
O ferro é essencial para a síntese
de hemoglobina e síntese das proteínas
do heme. O ferro é absorvido de fontes componentes
da dieta normal e é altamente conservado
pelo corpo. No sangue o ferro é transportado
pela transferrina. Os níveis de ferro variam
com a idade e sexo. A deficiência de ferro
pode levar à anemia.
ELEMENTOS PARA AVALIAR FUNÇÃO RENAL
CREATININA
A creatinina é um refugo da creatina fosfato,
um produto que é armazenado nos músculos
e usado para produzir energia. A creatinina é
excretada pelo rim. Quando a função
renal está prejudicada, a creatinina sanguinea
aumenta.
URÉIA
Em mamíferos o excesso de aminoácidos
é convertido em uréia e excretado
pelo rim. A concentração de uréia
é influenciada pela quantidade de proteína
degradada, dieta, hormônios e função
renal. Por isso a uréia não é
tão bom indicador da função
renal quanto a creatinina.
ÁCIDO ÚRICO
O ácido úrico é formado pela
degradação dos ácidos nucléicos
e é excretado pelos rins. Ele tem baixa solubilidade
e tende a precipitar como cristais de ácido
úrico ou uratos. O ácido úrico
pode também se precipitar nos tecidos e articulações,
por isso é muito comum dosar o ácido
úrico quando há uma suspeita de gota.
FUNÇÃO HEPÁTICA
BILIRRUBINA TOTAL
A bilirrubina é um produto da degradação
da molécula de hemoglobina, é formada
pelo fígado e excretada na bile. Como os
níveis de bilirrubina no soro são
normalmente baixos, somente o aumento dos níveis
é significativo. A concentração
de bilirrubina pode estar aumentada quando há
destruição excessiva de hemoglobina,
como nas anemias hemolíticas, ou processamento
prejudicado da bilirrubina, como na hepatite ou
excreção prejudicada pelo fígado
na obstrução biliar.
FOSFATASE ALCALINA
É amplamente distribuída no corpo,
incluindo os ossos e dutos do fígado.
ALANINA AMINOTRANSFERASE (ALT)
Foi antigamente designada transaminase glutâmico
pirúvica (TGP). Os níveis são
baixos no tecido cardíaco e altos no tecido
hepático. Essa enzima mostra-se aumentada
em doenças hepáticas.
ASPARTATO AMINOTRANSFERASE (AST)
Foi antigamente designada transaminase glutâmico
oxalacética (TGO). Está presente em
muitos tecidos, principalmente no muscular cardíaco
e hepático. Está aumentada no infarto
bem como nas doenças hepáticas.
GAMA GLUTAMIL TRANSFERASE (GAMA GT)
É encontrada nos rins, pâncreas, fígado
e tecido prostático.
LACTATO DESIDROGENASE (LDH)
É amplamente distribuída nos tecidos.
O nível de LHD aumenta no sangue em conseqüência
de doença hepática e infarto do miocárdio.
A hemólise de uma amostra de sangue irá
mostrar aumento de LDH, porque as hemácias
liberam LDH.
FUNÇÃO CARDÍACA
CREATINA QUINASE (CK ou CPK)
É uma enzima usada para ajudar no diagnóstico
de infarto. A CK está presente em grandes
quantidades nos músculos e no cérebro,
mas em pequenas quantidades nos rins e fígado.
Logo após um infarto, a CK é liberada
do tecido cardíaco lesado. O pico de CK no
soro ocorre em 24 horas, alcançando 5 a 8
vezes o limite superior normal e cai rapidamente
a níveis normais em 3 a 4 dias. Os níveis
de CK também aumentam após lesão
muscular esquelética e lesões cerebrais.
METABOLISMO LIPÍDICO
Os lipídeos são sintetizados no organismo
a partir de gorduras e óleos da dieta, que
são quebradas e reagrupadas. Os lipídeos
mais comumente dosados são o colesterol e
os triglicerídeos.
COLESTEROL
O colesterol está presente em todos os tecidos
e a concentração sérica tende
a aumentar com a idade. Níveis elevados de
colesterol podem aumentar o risco de doença
coronariana. Atualmente é recomendado que
os níveis de colesterol sejam mantidos abaixo
de 200mg/dl.
TRIGLICERÍDEOS
Os triglicerídeos são a principal
forma de armazenamento de lipídeos no homem,
alcançando cerca de 95% do tecido adiposo.
Hiperlipidemia é a condição
na qual o sangue tem um alto nível de triglicerídeos.
METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS
GLICOSE
O metabolismo da glicose é regulado pela
insulina, que é produzida no pâncreas.
Também é influenciado por outros hormônios,
como o hormônio do crescimento, glucagon e
cortisol.
Aumento nos níveis de glicose são
chamados de hiperglicemia e a diminuição
desses níveis é chamada de hipoglicemia.
A glicose é o principal carboidrato do sangue.
É usada para fornecer energia às células
do corpo. O excesso de carboidratos é armazenado
como reserva de energia.
LEI DE LAMBERT BEER
Lei de Beer é uma relação matemática
que forma a base da análise espectrofotométrica
e mostra que a absorbância de uma solução
é diretamente proporcional à concentração.
ESPECTROFOTÔMETRO
É um aparelho usado para determinar a concentração
de soluções coloridas. Esta determinação
é feita por passar um feixe de luz através
de uma solução.
Uma fonte de luz fornece um feixe de luz que passa
por um prisma que dispersa a luz em um espectro.
A luz, agora monocromática passa por uma
fenda e atravessa o tubo contendo a reação
(colorida). Uma porção de luz é
absorvida e outra passa pela solução.
A luz que passa pela solução é
detectada pela célula fotoelétrica,
que converte em corrente elétrica a qual
é registrada por um galvanômetro.
Esquema representativo do funcionamento do espectrofotômetro
